REGA

By Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac

A mulher do Zé Vicente,

Formoso ninho de encantos,

Muito dengosa e indolente,

Andava constantemente

A espreguiçar-se nos cantos.

“Vai trabalhar, mandriona!”

Bradava o marido mau,

Saltando nela, a tapona,

Fazendo-a ver uma fona,

Com grandes sovas de pau.

Com tanto e tanto levar,

Ela a emendar-se se exorta,

Resolvida a trabalhar,

Numa noite de luar,

Lá foi com o Mateus à horta...

Já tinham cantado os galos,

— Como ela tomara emenda! —

Quando o Zé foi encontrá-los:

— A moça a regar-lhe os talos,

O outro a regar-lhe a fazenda!