RÉGIO

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Festa no paço! Noute... e no entretanto

Luzes, flores, clarões por toda a festa

E há nos régios salões, em cada aresta,

Credências d’ouro de supremo encanto.

No baldaquino a orquestra real se apresta

E o áureo dossel finge um relevo santo...

— Bissos egípcios d’alto gosto, a um canto,

Flordelisados de nelumbo e giesta.

Morreu a noute e veio o Sol Eterno

— Âmbar de sangue que desceu do Inferno

No turbilhão dos alvos raios diurnos...

Brilham no paço refulgências de elmo

E a princesa assomou como um santelmo

Na realeza branca dos coturnos.