Renascimento

By João da Cruz e Sousa

Canta ao sol, como as cigarras

A tua nova alegria.

No Azul ressoam fanfarra

Da grande vida sadia.

Alerta, um clarim de alerta

Àquela antiga saúde:

— À clara janela aberta

Para o mar salgado e rude.

Que volte, ruidosa, agora,

Como um pássaro marinho,

A tua saúde, a aurora

Do teu sangue, estranho vinho.

E como espiga madura

Floresce outra vez a vida,

Resplandece à formosura,

Ó torre de ouro florida!

Quero-te em rosas festivas

A polpa das carnes brancas.

E rindo-te às forças vivas

Com rubras risadas francas.

Formosa, soberba e nua,

Nesse olhar que tudo abrange,

Na fronte um diadema, em lua

Num talhe curvo de alfanje;

Vem! o sol é teu amante!

Ah! vem mergulhar nos braços

Do flavo sultão radiante

Do harém azul dos espaços.