Repouso

By João da Cruz e Sousa

A cabeça pendida docemente

Em sonhos, sonha o sonhador inquieto,

Repousa e nesse repousar discreto

É sempre o sonho o seu bordão clemente.

Cego desta Prisão impenitente

Da Terra e cego do profundo Afeto,

O sonho é sempre o seu bordão secreto

O seu guia divino e refulgente.

Nem no repouso encontra a paz que espera,

Para lhe adormecer toda a quimera,

Os círculos fatais do seu Inferno.

Entre a calma aparente, a estranha calma,

O seu repouso é sempre a febre d’alma,

O seu repouso é sonho, e sonho eterno.