RESPONDE O POETA TODO SAUDOSO A THOMAZ PINTO.
Gostou da vossa Lira a minha Musa,
gostou sim pela vida de uma Tona,
que à custa do seu sangue se me escusa.
Vos devíeis lavar-vos na Helicona,
ou beber nas torrentes do Pegaso,
segundo a vossa Musa é folgazona:
Mas senti, que caísseis no fracasso
de me não dares novas de Luzia
a tintin por tintin, caso por caso.
Se imaginastes, que o não sentiria,
porque um ausente morto se reputa,
enganou-vos a vossa fantesia:
Que eu sou fino berrante sem disputa
de tudo, o que são fêmeas, e mulheres,
seja a puta qualquer, se é minha puta.
Quem goza, como vós, tantos prazeres
de tanta fêmea em baixo tão servido,
dormindo sobre tantos bem-me-queres
Bem se zomba do pobre foragido,
que rendido ao bom ar de uma Catona
nem por toque se viu favorecido.
Ora vede os poderes de uma cona,
que me vejo cercado de peixeiras,
e estou mais tristalhão, do que uma mona.
As putinhas daqui são mulambeiras,
e fedem ao peixum com os diabos,
e importa pouco serem gritadeiras.
Em chegando ao repuxo dos quiabos
fica-lhe a fralda um lago de ensopada,
e vão-se umedecidas pelos rabos.
Amor me leve a cachoeira honrada,
onde a Vermelha enxuta de pentelho
toda a conana traz polvorizada.
Leve-me Amor a ver no lindo espelho
de Luzia, que cheira em se deitando,
qual se nunca metera de Vermelho.
Moças desse país me estão lembrando,
de Catona a fidalga gravidade,
e não saber mentir de quando em quando.
Que de gabos lhe dera na verdade,
se o Catuge esperara uma só hora,
e não fora com tal celeridade.
Mas vós fazei presente à tal Senhora,
que aqui me estou morrendo por beijá-la
naqueles dentes pérolas da Aurora:
Naquela boca aljôfar de Bengala,
e que espero, que Amor me há de dar hora,
em que ela meta a mão na consciência;
Porque, quem me pariu, me diga agora,
que sou servo de Vossa Reverência.