RETRATA O POETA COM GRACIOSO MIMO AS MIMOSAS GRAÇAS DESTA DAMA.
Olá digo: ó vós Teresa,
que vós sois bizarra em forma,
formosa sem invenção,
e bela sem cerimônia.
Sois linda, como há de ser,
e Brites, que é tão formosa,
será vossa irmã em sangue,
na beleza, são histórias.
O mimo da vossa cara
é tal, que crê, quem a olha,
que as mais ao buril são feitas,
e a vossa vazada em fôrma.
O papinho, que se enxerga
por baixo da barba airosa,
me está dizendo — comei-me,
só vós me dizeis, não coma.
Logo me encolho de medo
talvez, talvez de vergonha,
que um grito na mesa alheia
põe o apetite em cóspias.
Não sei, que diga Teresa,
acerca da vossa boca;
mas que mais posso dizer
depois de dizer, que é vossa?
Sei dizer, que dentro nela
tal riqueza se entesoura,
que não sei, se são diamantes,
se perolas; se outra coisa.
Bem apoda uns brancos dentes,
que a aljôfar os apoda,
e eu fizera o mesmo aos vossos,
mas quando o sonhou aljôfar?
Não sei, que tem vossa cara
de polida, e de mimosa,
que as outras são como as mais,
e a vossa não como as outras.
Quando a vossa cara vejo,
logo me vem à memória,
o melindre do jesmim,
e a natazinha da rosa.
Cuido, que se vem a unha
o carão, que a cara enforma,
e a medo lhe emprego a vista,
porque cuido, que a transtorna.
Não sou basilisco olhando,
mas essa fineza vossa,
como a qualquer unha cai,
a qualquer vista se volta.
Por isso tomara ver-vos
sempre de vidraças posta,
porque vos não ofendera,
quem vos fala, e quem vos olha.
A minha alma então prostrada
diante da imagem vossa,
não só, quem vos ama, víreis,
mas também quem vos adora.
Tal novena vos fizera,
que durara a vida toda,
um penhor da vossa glória,
por ver se vos merecia.