RETRATO DE HUMA DAMA EM METHAFORICAS DOUTRINAS, QUE SE DÃO À UM PAPAGAYO. ESTE F...
“Como estais, Louro” diz Fílis
a um Papagaio, que ensina
Louro como este cabelo
onde sempre o ouro brilha.
“Toca, Papagaio, toca.”
Não toco em testa tão linda,
que sem ter pedra de toque,
conheço ser pedra fina.
“Quem passa, Louro quem pa
Passa amor com alegria
por esses arcos triunfantes
feito cego, e cachorrinha.
“Dizei o ré mi fá sol.”
Sempre o sol nessas safiras
com raios anda abrasando,
com frechas tirando vidas.
“Correi, comadre, correi”
vereis rosas, clavelinas,
jasmins, cravos, açucenas,
nesse belo rosto unidas.
“Outro, Papagaio, outro.”
Cousa impossível seria
achar um nariz como esse,
se não for por maravilha.
“Vá, Papagaio real.”
Real é essa boquinha,
a quem Tiro paga grátis
pérolas, e margaritas.
“Para Portugal” dizei.
Para Portugal é dita
ver essa barba engraçada
madrepérola em conchinha.
“Dá comer ao Papagaio.”
Antes eu, Senhora minha,
na neve dessa garganta
com regalo beberia.
“Dai cá o pé, meu Loutinho.”
Isso fora grosseria,
que pusesse eu o meu pé
numas mãos tão cristalinas.
“Corrido vai.” Isso é certo,
que corrido ficaria
quem desse peito quisesse
colher as maçãs tão ricas.
“Tiro lico tico, ré fá.”
Isso são duas cousinhas,
que nos pés andam em breve
só com uma cifra escritas.
Dizei “Tabaréu, réu, réu.”
Manda Amor, que não prossiga,
porque não sou em colon
para descobrir tais índias.
Falou como um Papagaio
o Papagaio este dia:
eu falei como Estorninho,
Fílis qual Pega, ou Corica.