Revendo-se

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Quis uma alma, depois de haver deixado

O coração na rasa sepultura,

Vê-lo de novo. Então, da excelsa altura,

Desceu à terra num clarão sagrado.

Desejou encontrá-lo ainda guardado,

E repleto da mística doçura

Da mocidade em flor; e na ventura

De se ver por um outro ainda amparado.

Ei-la, pois, a cavar a terra fria...

Mas, de real, o que na cova havia

Era, dos vermes, o banquete torvo;

Onde tudo se iguala; onde se iguala

O coração que veste a cor de opala

Ao coração que veste a cor do corvo.