Reza

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Passo as noites em claro, hora por hora,

Pensando em ti, pensando em mim; pensando

Na nossa vida atroz, que não melhora,

Chore eu, e chores tu, aos céus clamando.

Continuamente, num tristonho bando,

As nossas esperanças vão-se embora,

Como as aves no inverno horrível, quando

Nem rosas há pelos vergéis da aurora

Tudo um montão de trágicas ruínas

Em derredor de nós, como colinas

Que se houvessem ruído ao som dos ventos...

Mas, para que um grão de areia possa

Ficar, reza ajoelhada, reza à Nossa

Senhora Amparadora dos Tormentos.