Rezando por mim

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Tarde contemplativa. O azul é flor nas águas

Do mar, que lembra um lago enorme, adormecido.

Não fervilha a maré, nem se arrepela em fráguas

Num rochedo que está entre as algas metido.

Quantas recordações! Dentro do peito trago-as

Como dentro de um cofre um tesouro escondido.

Quantas recordações, exiladas das mágoas...

Sem um ai... sem um grito... um soluço... um gemido.

Por uma tarde, assim, de turquesa e damascos,

De topázios de fogo e cristal nos penhascos

Do alto do Cambirela, é que te ouvi rezar...

E rezavas por quem? Valésia, tu rezavas

Por mim, pois há que tempo, ansiosa, me esperavas,

Clamando a Deus, clamando ao céu, clamando ao mar!