Rezando por mim
Tarde contemplativa. O azul é flor nas águas
Do mar, que lembra um lago enorme, adormecido.
Não fervilha a maré, nem se arrepela em fráguas
Num rochedo que está entre as algas metido.
Quantas recordações! Dentro do peito trago-as
Como dentro de um cofre um tesouro escondido.
Quantas recordações, exiladas das mágoas...
Sem um ai... sem um grito... um soluço... um gemido.
Por uma tarde, assim, de turquesa e damascos,
De topázios de fogo e cristal nos penhascos
Do alto do Cambirela, é que te ouvi rezar...
E rezavas por quem? Valésia, tu rezavas
Por mim, pois há que tempo, ansiosa, me esperavas,
Clamando a Deus, clamando ao céu, clamando ao mar!