Órfã

By Delminda Silveira de Sousa

Oh! flor da soledade! Oh! Violeta

singela e triste do sombrio val!

A nuvem de medonho temporal

que pelo céu passou, deixou-te inquieta...

Tremes ao sopro do favônio brando,

pendes a meiga fronte gotejante

se no Oriente assoma o sol brilhante,

se o beija-flor as rosas vai beijando.

Melancólica flor! Risonha, outrora,

no casto fruir de juvenis folganças, —

que é do teu ideal? das esperanças

que o teu viver não mais te of’rece agora?...

Vais pela vida como tenra folha

que o tufão desprendeu do tronco forte,

qual pelo Oceano, sem fanal, sem norte,

pobre batel sem porto que o recolha!

Oh, flor da Soledade! oh!, flor mimosa!

Meiga saudade sombra do cipreste;

quem te dará à alma dolorosa

o tesouro d’afetos que perdeste?! —