RISO E MORTE

By Laurindo José da Silva Rabelo

Eu vim ao mundo chorando,

Chorar é o meu viver;

Quando eu deixar de chorar,

Estou prestes a morrer.

Quando a alma ao infortúnio

Assim ligado se tem,

Como termo da desgraça

A morte não longe vem.

Quando eu deixar de chorar,

Quando contente me rir,

Não se enganem, desconfiem,

Que não tardo a sucumbir.

Vem, oh! morte, ver meu pranto.

Não receies, podes vir;

Choro nos braços da vida,

Nos teus braços me hei de rir.

Muitas vezes um prazer

Que parece de ventura,

Não é mais que um riso d’alma

Vendo perto a sepultura.

O feliz ri-se da vida

Por ver nela o seu jardim;

O desgraçado, na morte

Por ver da desgraça o fim.