ROGA O POETA À SUA ESPOSA, QUE SUSPENDA O REMÉDIO DAS SANGRIAS.

By Gregório de Matos Guerra

De uma dor de garganta adoecestes,

E foram, Tisbe, quando vos sangrastes,

Piques aquela dor, de que enfermastes,

Rosas aquele sangue, que vertestes.

Oh que discretamente discorrestes

No remédio, que à dor logo aplicastes.

Pois por força nas rosas, que lançastes,

Haviam de ir os piques, que tivestes.

Mas ai! que por meu mal desejo agora

Um novo mal em vós, ó Tisbe minha;

E se o pode alcançar, quem vos adora,

Peço, que suspendais essa meizinha,

Que se ainda mais rosas lançais fora,

Receio, que fiqueis posta na espinha.