Roma pagã

By João da Cruz e Sousa

Na antiga Roma, quando a saturnal fremente

Exerceu sobre tudo o báquico domínio,

Não era raro ver nos gozos do triclínio

A nudez feminina imperiosa e quente.

O corpo de alabastro, olímpico e fulgente,

Lascivamente nu, correto e retilíneo,

Num doce tom de cor, esplêndido e sanguíneo,

Tinha o assombro da carne e a forma da serpente.

A luz atravessava em frocos d’oiro e rosa

Pela fresca epiderme, ebúrnea e cetinosa,

Macia, da maciez dulcíssima de arminhos.

Menos raro, porém, do que a nudez romana

Era ver borbulhar, em férvida espadana

A púrpura do sangue e a púrpura dos vinhos.