RONDÓ

By Gustavo de Paula Teixeira

Loiro Lírio celeste, que amo tanto,

Vê: não tenho repouso um só momento!

No silêncio da noite arde o meu pranto

Como as estrelas pelo firmamento.

Ouve a aragem noturna o meu lamento

Que reboa através deste recanto...

E não vens abrandar o meu tormento,

Loiro Lírio celeste, que amo tanto!

Para adorar-te a imagem de almo encanto,

Por alta noite, exposto ao frio e ao vento,

Me ajoelho ao pé de um lírio, como um santo...

Vê: não tenho repouso um só momento!

Dou a este amor combate mais violento

Do que os de Salamina e de Lepanto:

Em vão! o amor me vence, e, em fios, lento,

No silêncio da noite arde o meu pranto!

Do etéreo riso que me pôs quebranto

Não cicatriza nunca o ferimento.

As rimas lacrimejam no meu canto

Como as estrelas pelo firmamento!

E não há de findar o sofrimento

Que o olhar me cobre de uma névoa, enquanto

Não me envolveres, como em pálio bento,

Do teu cabelo no macio manto,

Loiro Lírio celeste!