Rosa negra

By João da Cruz e Sousa

Nervosa Flor, carnívora, suprema,

Flor dos sonhos da Morte, Flor sombria,

Nos labirintos da tu’alma fria

Deixa que eu sofra, me debata e gema.

Do Dante o atroz, o tenebroso lema

Do Inferno a porta em trágica ironia,

Eu vejo, com terrível agonia,

Sobre o teu coração, torvo problema.

Flor do delírio, flor do sangue estuoso

Que explode, porejando, caudaloso,

Das volúpias da carne nos gemidos.

Rosa negra da treva, Flor do nada,

Dá-me essa boca acídula, rasgada,

Que vale mais que os corações proibidos!