SAI... AZAR

By Emílio Nunes Correia de Meneses

Seis horas. Estação da Leopoldina.

Tomo o trem. Mal me abanco, uma velhota,

De setenta anos, fala, sopra, arrota,

Numa desenvoltura de menina.

Quero ler. A carcaça, de voz fina,

Tanto fala e me diz tanta lorota,

Que, na raiva, o jornal se me amarrota

E ainda o raio da velha me bolina.

Quero fugir. A peste me segura.

Por pouco mais me tomo um assassino.

Sinto que passa um vento de loucura.

E julgo ver que, em meio ao desatino,

Eu era da polícia a atroz figura,

E a velha era a figura do Aurelino.