Satanismo

By João da Cruz e Sousa

Não me olhes assim, branca Arethusa,

Peregrina inspiração dos meus cantares;

Não me deixes a razão vagar confusa

Ao relâmpago ideal de teus olhares.

Não me olhes, oh! não, porquanto eu penso

Envolvido no luar das minhas cismas,

Que o olhar que me dardejas — doido, imenso

Tem a rápida explosão dos aneurismas.

Não me olhes. Oh! não, que o próprio inferno

Problemático, fatal, cálido, eterno,

Nos teus olhos, mulher, se foi cravar!...

Não me olhes, oh! não, que m’entolece

Tanta luz, tanto sol — e até parece

Que tens músicas cruéis dentro do olhar!...