Saudação

By João da Cruz e Sousa

Ontem, grande desgraça

Que o povo se abraça

D’Itajaí em geral!

Ontem, o cetro divino

Que se tornando ferino

Tudo esmaga afinal!

Ontem, prantos e dor...

Grandes gritos d’horror...

A fatal confusão!

Ontem, lampas perdidas

De centenas de vidas,

Que nas águas lá vão!

Ontem, negras as vagas,

Os belos céus, essas plagas,

— Onde existe o Senhor!

Ontem, — fatalidade!

A pobrezinha cidade

Toda envolta em negror!

Hoje, oh! Deus sempiterno!

— O teu gládio superno

De bonança a irradir,

Veio ao povo esmagado

Ao tredo peso do fado

Fazer do caos ressurgir!

Hoje, o íris brilhante

Lá nos céus, radiante,

Já se faz divulgar!

E todo o povo prostrado

Te agradece arroubado

Mas ainda a chorar!

E corações caridosos

Farão a dar pressurosos

Os seus globos gentis!

Dai! é doce a esmola!

Ela aos pobres consola,

Torna-os ledos, gazis!

A miséria chorava

Em delírio bradava

Por um pouco de pão!

E eles foram dizendo

— Ide, pois vos mantendo,

Aqui tendes a mão!

E vós — lá no tablado,

O mor rasgo, elevado,

De fazer acabais!

E um rasgo de glória

De brilhante memória

Pros vindouros anais!

Vós fazeis do cenário

Um dinal santuário

Trabalhando p’ra pobres!

Mostrais bem que nas almas

Possuís celsas palmas

De ações muito nobres!

P’ra louvar amadores,

Tantas lutas, labores,

Tanta excelsa virtude!

Ah! me falta uma lira

Que um poema desfira...

Ai! me falta alaúde!

Só Deus pode dar louros

De mil glórias, tesouros,

Como vós mereceis!

Pois que feitos são divos,

Tão imensos, altivos

Só d’heróis ou de reis!

Amadores briosos!

Vós sois tão valorosos

Qual os bravos na guerra!

Sois os nautas valentes

Socorrendo ridentes

Quem cá gema na terra!

Amor, Deus, Caridade

— E a sublime trindade

Radiante de Luz!

Donde vós, amadores,

Lá colheis os fulgores,

De mil graças a flux!