SAUDAÇÃO

By Laurindo José da Silva Rabelo

Glória aos anjos que firmando

Deste império a monarquia,

Contra as iras da anarquia,

Do seu trono a glória são.

São duas virgens formosas,

Cujos sublimes destinos

Nos rostos, quase divinos

Bem retratados estão.

Inda que cegos nem vê-las

Por um momento possamos,

É assim que as desenhamos

Em nossa imaginação.

Firmes e ledas na vida

Caminham da glória ao templo,

Guiadas pelo exemplo

Que os pais augustos lhes dão.

O perfume da inocência

Que das flores d’alma exalam

Quando riem, quando falam,

Avassala o coração.

Quem as ouve, embora a mente

Ao trono se não remonte,

Curva os joelhos e a fronte,

Para beijar-lhes a mão.

E nós, cegos infelizes,

Quando a destra lhes beijamos,

Dentro d’alma sufocamos

Um pranto de gratidão.