Se eu voltar
Querido amor! Que eu vá e volte, para, um dia,
De novo recordar as praias marulhosas,
Por onde andei e por onde ando, na alegria
Do sol e desse luar, pelas noites saudosas.
E volte para ouvir as aves na arcaria
Dos verdes angelins, e ouvir fontes cheirosas...
E se ainda existir, na antiga freguesia,
A casa onde nasci, sob um tendal de rosas,
(Mas hoje cheia de hera e bastante arruinada)
Que eu veja nela o abrir de uma outra madrugada;
E encontre, ao renascer, nesse solar risonho,
O teu corpo também renascido e formoso:
— Lírio de sangue e luz, para sempre ditoso;
E a tua alma a cantar dentro do mesmo sonho.