Seio amigo

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Ele vinha da pesca e ao sair da tormenta,

Que, em novelos, rolava em rumo da enseada,

Virou lá no Pontal. Envolveu-o a cinzenta

Gaze da cerração, sob a rija lestada.

Noite de ânsias e de ais, na procela agourenta

Da fria lua nova, uma lua nevada.

E o corpo do rapaz, já matéria visguenta,

Boiava, agora, sobre a vaga encapelada.

Mas, a praia que é sempre um venturoso abrigo,

Um seio sempre aberto, um grande seio amigo,

Ao vê-lo de roldão, disse ao mar que o trouxesse...

E uma vaga foi vindo... e mais uma... e mais uma...

E estendeu-se um colchão alvíssimo, de espuma,

Sobre o qual o rapaz para sempre adormece...