Sem amor

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Para que a vida seja um grande mar de rosas

Faz-se mister que a gente, em êxtase, se inflame

No que existe de luz nas crenças vigorosas,

E ame o próprio inimigo, e as próprias pedras ame.

A vida sem o amor vaga nas tenebrosas,

Sinistras ilusões. E se há céu que derrame

Por sobre nós a luz das crenças vigorosas,

A vida sem o amor é um mar que em trevas brame.

É o inferno tenebroso a nossos pés se abrindo;

E a nossos pés, medonho e em blasfêmias rugindo,

A cada hora chegada, ou a cada momento.

A vida sem o amor é um eterno mar morto,

Sem flâmulas, sem paz, sem faróis, e sem porto;

Mar por onde nem passa a ânsia alada do vento!