Sempre lembrada

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Para matar da criança o trágico quebranto

Era logo chamada a minha velha tia.

E ela, cheia de amor pelas crianças, ia

Pelas léguas sem fim, ao último recanto...

Mas, antes de partir de casa, orava a um santo,

No oratório do quarto, e, alegre, repetia:

“Seja o meigo Jesus a minha companhia,

E o manto de Maria, o meu querido manto”.

Toda a criança, então, florescia de novo.

Por isso, essa velhinha era amada do povo

Desse humilde lugar de alvas praias cheirosas.

Do povo que ainda agora, entre rezas, murmura:

— Velhinha, iremos sempre à tua sepultura,

Levar-te bogaris, margaridas e rosas.