SENHOR SOLDADO DONZELO.

By Gregório de Matos Guerra

Senhor soldado donzelo

a quem custa mais fadiga

dormir uma rapariga

do que ganhar um castelo:

se o pistolete é de ourelo

e anda sempre desarmado

crede que sois mau soldado

porque na venérea classe

vai pouco que a velha entrasse

se o moço tivesse entrado.

Suponho que o neto entrasse

e viesse logo a avó

tereis vós o vosso nó

e a velha que o desatasse:

se acaso vos assaltasse

na vossa cama, ou retiro

todo um exército em giro

e armado lhe aparecêreis,

vós algum risco corrêreis,

mas daríeis vosso tiro.

Assim mesmo conjeturo

nos rencontros de Cupido

trazeis vós o perro enguido

que o tiro eu vo-lo asseguro:

se vós o tivéreis duro

e fôreis fazendo ilhós

nas moças, que estavam sós

à fé que o não taparia

Avó, nem menos a Tia,

dez Tias, nem trinta Avós.

Vós conversando, ela rindo

se perde do logro a era:

que importa que a Avó viera

se vós vos tivéreis vindo?

Como estais sempre cumprindo

com cerimônias cruéis,

por isso sois, e sereis

(perdendo contentamentos)

um homem de cumprimentos

porém nunca cumprireis.

Dizem, que quem perde o mês,

contudo não perde o ano,

mas neste caso magano

perde o ano quem perde a vez:

já vós, por seres má rês,

perdestes noutra hora a sorva:

sempre achais, quem vos estorva,

e perdestes, a ocasião,

sem que houvesse velha então,

que vos mijasse na escorva.

Amigo, a pura verdade

é que a velha do socrócio

não desfez este negócio;

bem o faz a mocidade:

culpai vossa frialdade

que a velha não fez o dano,

e senão, por desengano,

e contra o mal das Avós

tomai cantárida em pós

ou metei-vos franciscano.