SENHOR SOLDADO DONZELO.
Senhor soldado donzelo
a quem custa mais fadiga
dormir uma rapariga
do que ganhar um castelo:
se o pistolete é de ourelo
e anda sempre desarmado
crede que sois mau soldado
porque na venérea classe
vai pouco que a velha entrasse
se o moço tivesse entrado.
Suponho que o neto entrasse
e viesse logo a avó
tereis vós o vosso nó
e a velha que o desatasse:
se acaso vos assaltasse
na vossa cama, ou retiro
todo um exército em giro
e armado lhe aparecêreis,
vós algum risco corrêreis,
mas daríeis vosso tiro.
Assim mesmo conjeturo
nos rencontros de Cupido
trazeis vós o perro enguido
que o tiro eu vo-lo asseguro:
se vós o tivéreis duro
e fôreis fazendo ilhós
nas moças, que estavam sós
à fé que o não taparia
Avó, nem menos a Tia,
dez Tias, nem trinta Avós.
Vós conversando, ela rindo
se perde do logro a era:
que importa que a Avó viera
se vós vos tivéreis vindo?
Como estais sempre cumprindo
com cerimônias cruéis,
por isso sois, e sereis
(perdendo contentamentos)
um homem de cumprimentos
porém nunca cumprireis.
Dizem, que quem perde o mês,
contudo não perde o ano,
mas neste caso magano
perde o ano quem perde a vez:
já vós, por seres má rês,
perdestes noutra hora a sorva:
sempre achais, quem vos estorva,
e perdestes, a ocasião,
sem que houvesse velha então,
que vos mijasse na escorva.
Amigo, a pura verdade
é que a velha do socrócio
não desfez este negócio;
bem o faz a mocidade:
culpai vossa frialdade
que a velha não fez o dano,
e senão, por desengano,
e contra o mal das Avós
tomai cantárida em pós
ou metei-vos franciscano.