Serpente de cabelos

By João da Cruz e Sousa

A tua trança negra e desmanchada

Por sobre o corpo nu, torso inteiriço,

Claro, radiante de esplendor e viço,

Ah! lembra a noite de astros apagada.

Luxúria deslumbrante e aveludada

Através desse mármore maciço

Da carne, o meu olhar nela espreguiço

Felinamente, nessa trance ondeada.

E fico absorto, num torpor de coma,

Na sensação narcótica do aroma,

Dentre a vertigem túrbida dos zeros.

És a origem do Mal, és a nervosa

Serpente tentadora e tenebrosa,

Tenebrosa serpente de cabelos!...