Smyrna

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Tão simples e tão pobre a nossa casa,

Sem riqueza, a não ser a das roseiras

Que lhe dão as carícias mais fagueiras

Como os canários todo o afago d’asa.

Mas tu chegaste, e o teu olhar transvasa

Uma quentura como a das lareiras...

Trazes na boca a flor das romãzeiras;

E um sol nos olhos, que de amor me abrasa.

Por isso desde essa manhã de maio.

Eu nada vejo que não seja um raio

De esp’rança verde como o campo largo...

Chegaste, filha, para me amparares;

Chegaste, vinha, p’ra me transformares

Em vinho e aromas o que sinto amargo.