SOBRE A INGRATIDÃO DE UMA DAMA

By Nicolau Tolentino de Almeida

Coração, de que gemes, de que choras?

Que parece tens ódio a própria vida!

Se perdeste teu bem, foi mão perdida,

Com te pôr a morrer nada melhoras.

Eu bem sei que a beleza a quem adoras,

Foi-te ingrata e cruel, foi fementida:

Mas que esperavas tu, se ó lei sabida

O mudar-se a mulher todas as horas.

Sossega, coração, deixa a tristeza:

Quem te mandou querer com fé tão pura,

Quem te mandou mostrar tanta firmeza!

Erraste, tem paciência, enfim procura

Não fazer por mulher jamais fineza.

Acharás mais amor, maior ventura.