SOBRE A INGRATIDÃO DE UMA DAMA
Coração, de que gemes, de que choras?
Que parece tens ódio a própria vida!
Se perdeste teu bem, foi mão perdida,
Com te pôr a morrer nada melhoras.
Eu bem sei que a beleza a quem adoras,
Foi-te ingrata e cruel, foi fementida:
Mas que esperavas tu, se ó lei sabida
O mudar-se a mulher todas as horas.
Sossega, coração, deixa a tristeza:
Quem te mandou querer com fé tão pura,
Quem te mandou mostrar tanta firmeza!
Erraste, tem paciência, enfim procura
Não fazer por mulher jamais fineza.
Acharás mais amor, maior ventura.