Sobre o lago

By Delminda Silveira de Sousa

— Vamos? Descamba o sol; vozes trementes

morrem à flor do prateado lago;

da mansa viração no brando afago

dobram nas margens os juncões viventes.

As verdes tramas dos cipós pendentes

Como cortinas no palácio mago,

num tom de sombras, merencório, vago,

descem até as ribas florescentes.

Vamos; meu terno coração deleita

Ver, na moldura de esmeraldas feita

que rodeia este espelho de cristal,

Aquelas garças brancas namoradas,

— almas de noivos junto a Deus pousadas,

— almas de poetas num retiro ideal.