Sobre o lago
— Vamos? Descamba o sol; vozes trementes
morrem à flor do prateado lago;
da mansa viração no brando afago
dobram nas margens os juncões viventes.
As verdes tramas dos cipós pendentes
Como cortinas no palácio mago,
num tom de sombras, merencório, vago,
descem até as ribas florescentes.
Vamos; meu terno coração deleita
Ver, na moldura de esmeraldas feita
que rodeia este espelho de cristal,
Aquelas garças brancas namoradas,
— almas de noivos junto a Deus pousadas,
— almas de poetas num retiro ideal.