SOFREDORA

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

Cobre-lhe a fria palidez do rosto

O sendal da tristeza que a desola;

Chora — o orvalho do pranto lhe perola

As faces maceradas de desgosto.

Quando o rosário de seu pranto rola,

Das brancas rosas do seu triste rosto

Que rolam murchas como um sol já posto

Um perfume de lágrimas se evola.

Tenta às vezes, porém, nervosa e louca

Esquecer por momento a mágoa intensa

Arrancando um sorriso à flor da boca.

Mas volta logo um negro desconforto,

Bela na Dor, sublime na Descrença,

Como Jesus a soluçar no Horto.