Soluços

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Esses altos soluços vêm das vagas

Do mar revolto, desse mar sanhudo,

Que, nas noites veladas e aziagas,

Parecem vir para acabar com tudo.

E as dos rios a encher, sob as pressagas

Chuvaradas de inverno tredo e mudo,

Que matam tanto como as sete pragas

Mataram todo o campo de veludo...

E esses das nuvens trágicas, sombrias,

Caindo sobre as longas penedias;

E os dos ventos bramindo seus soluços.

Todos esses soluços, soluçados

Dessa maneira, assim, desesperados,

Não se parecem com os meus soluços.