SOMBRA IMORTAL

By Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos

— E tu velas, a sós, no pó da fulgurância

Como uma velha cruz vela na sombra morta!

Fora, a noute é tumbal... e a saudade da infância,

Como um’alma de mãe, me acalenta e conforta!

Noute! E somente tu velas a rutilância...

Lua que já passou e que hoje ainda corta

O penetral que guia à derradeira estância,

O penetral que leva à derradeira porta!

Revejo em ti, mulher, num lânguido smorzando

A sombra virginal qu’eu adoro chorando

E há de um dia amparar-me na luta morrendo...

Ah! que um dia da Vida, estes dardos acúleos

Caiam, também da Dor, lá dos braços hercúleos,

Domados pela meiga Onfale a que me rendo!