Sombras amigas

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Sombras da noite, leves como as aves;

Aconchegos e frêmitos de amores,

Que em nossas asas de esquisitas cores

Subam para o Alto os meus anseios graves.

Sombras flébeis, tenuíssimas, suaves.

Emigras de um chão de negras flores.

Levai-me as mágoas e as secretas dores

Pelas mais altas e silenciosas naves...

Ascendendo às alturas das montanhas,

Que os meus anseios de ferais entranhas.

Que todo esse clamor de ansiedade,

Erre junto de nós, sombras da noite,

E numa estrela rútila se acoite,

Em busca de repouso e de piedade.