SONETO, AO CONSELHEIRO JOSÉ FELICIANO DE CASTILHO
A história que aproxima priscos anos,
Tardio tribunal justo e severo,
Horroriza tratando do ímpio Nero,
O mais torpe e funesto dos tiranos.
No furor das cruezas e dos danos
Não lhe escapa um dos êmulos de Homero,
Pois é Lucano vítima do fero
Algoz que dominou sobre os Romanos.
De Espanha era o poeta nobre filho,
Mas por pátria adotando amena Itália,
Deu à língua de Horácio novo brilho.
Inspirou-se nas águas da Castália,
E escreveu, como escreve hoje um Castilho,
O prélio sanguinoso de Farsália.