SONETO, AO MIMOSO POETA BERNARDO GUIMARÃES

By José Joaquim Correia de Almeida

Que importa, ó Guimarães, se esse despeito

da vingança mesquinha se não peja,

e ordena que os discípulos não reja

talento que merece alto conceito?

Literato e poeta, bem aceito

tens de ser no porvir, conquanto seja

ervada a infernal seta, que doudeja,

sem jamais atingir teu nobre peito.

Ao gênio deu apreço a idade d’ouro,

na idade azinhavrada hoje encontraste

injustiça, se bem que sem desdouro.

Confronto as datas e acho este contraste:

era outrora a ciência grão tesouro,

e agora por inútil é mau traste.