SONETO, AO MIMOSO POETA BERNARDO GUIMARÃES
Que importa, ó Guimarães, se esse despeito
da vingança mesquinha se não peja,
e ordena que os discípulos não reja
talento que merece alto conceito?
Literato e poeta, bem aceito
tens de ser no porvir, conquanto seja
ervada a infernal seta, que doudeja,
sem jamais atingir teu nobre peito.
Ao gênio deu apreço a idade d’ouro,
na idade azinhavrada hoje encontraste
injustiça, se bem que sem desdouro.
Confronto as datas e acho este contraste:
era outrora a ciência grão tesouro,
e agora por inútil é mau traste.