Sonho de amor

By Delminda Silveira de Sousa

Eu reclinando a fronte no teu peito,

dizia, na minh’alma embevecida:

“— Este é o homem que eu amo, o meu eleito,

deixa, deixa que assim se passe a vida!”

Se por teu coração compreendida

fora essa voz do meu amor perfeito,

ah! desse-mo esse longo abraço estreito

em que à tu’alma foi minh’alma unida!

Mas... ilusão!... esse inefável gozo

do Paraíso, no viver ditoso

dum ideal e místico transporte,

Um dia, cruelmente arrebatado

foi pelo sopro ríspido, gelado

da implacável, despiedada Morte!