SONHO MORTO

By Gustavo de Paula Teixeira

O sonho azul que eu vinha acalentando

— Uma preciosa dádiva divina —

Foi um dia a dia as pétalas cerrando

Como um helianto quando o sol declina...

Adeus, ó lírio de um perfume brando

E tez nivosamente alabastrina,

Que, o meu torvo pesar balsamisando,

Me sorrias na estrela vespertina!

Doce ilusão crescida na minh’alma!

Nunca mais tu virás, por noite calma,

Beijar-me o rosto, plácida e radiante!

E hei de chegar ao meu sombrio outono

Sem ter um anjo que no extremo instante

Me feche os olhos para o eterno sono!