Sorrir, cantar, gemer

By Delminda Silveira de Sousa

Vem raiando serena a madrugada,

rubros botões na moita serenada

em rosas vão se abrir;

mimosas flores no matiz virente

as pétalas estendem docemente,

— só eu não sei sorrir!

Acordam passarinhos no arvoredo,

harmonias de amor num hino ledo

vão todos modular;

a brisa passa segredando às flores

um poema de cândidos amores,

— só eu não sei cantar!

Agora, a tarde vem; as flores pendem,

véus de tristeza pelo azul s’estendem,

tudo exprime — sofrer!

Soluça a rola, as suspirosas águas...

e minh’alma suspira imersa em mágoas

“Meu Deus! Só sei gemer!”