SOU TÃO JUSTO QUANTO É BELA A NINFA, QUE ME ENFEITIÇA, O AMOR QUE EU SINTO POR E...
No rosto de Jônia estão.
Quantos dons das graças vem,
Mas que importa? se não tem
Como o rosto o coração:
Milhões de suspiros vão
Revoar em torno d’ela.
Mas, se os que morrem por ela
Vejo de irrisão servir-lhe,
Em amá-la e em fugir-lhe
Sou tão justo quanto é bela.
Imperfeita natureza.
Se queres poupar-nos dores.
Ou dá corações melhores,
Ou não dês tanta beleza:
O alto dom da gentileza
Reparte com mais justiça,
Fizeste ao mundo injustiça,
Em criar com mão raivosa.
Tão cruel e tão formosa
A ninfa, que me enfeitiça.
Nunca se erguem sem matar
Os “eus olhos vencedores.
Quer ter mil adoradores
Para ter que desprezar:
Já sei o que é suspirar,
Fui aprender aos pés d’ela,
Tão tirana como bela.
Por ter de zombar mil modos,
Gosta de atear em todos
O amor que eu sinto por ela.
Mas eu que d’esta paixão
Me contento c’os grilhões,
Adoro-lhe as perfeições,
Não lhe peço o coração:
Se a sua adorável mão
Diversos fogos atiça.
Nem murmuro da injustiça,
“Nem apago a chama ardente,
Que este amor independente
Não é obsequio, é justiça.