Suicida

By Juvêncio de Araújo Figueredo

De bordo do lanchão pôs-se a fitar o espaço,

Que tão cheio de luz se achava! Quantos astros,

Quantos mundos rolando, enlaçados em nastros,

Da eterna vibração, no infinito compasso!

Quis estender ao céu o seu pequeno braço,

Mas recuou porque, muito distante, os rastros

Desses mundos de luz lhe dariam cansaços;

E eles não são, por certo, os santelmos nos mastros...

— Quem pudesse morrer! (Disse ele) e, nesse instante,

Olha as águas do mar e vê um céu faiscante;

E dentro desse céu, a gôndola da lua...

Arroja-se de chofre, então, ao mar e morre.

Mas, por toda a enseada, uma lenda ainda corre:

Dizem que a alma do Zé nas ânsias continua...