Superstição

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Fria noite de agosto, envolta no sudário

Melancólico de uma enregelante lua.

E porque não te vais deitar, se extenua

Teu peito, e meia noite ecoa o campanário!

Neste rancho de palha, a um canto, solitário,

Nossa Senhora desça, a sorrir, à alma tua.

Dorme, velhinha, dorme... O silêncio flutua...

Não confias, então, nas contas do rosário?

O teu filho há de vir logo que a pescaria

Acabe, no mar grosso... Abre o peito à alegria;

Faze do coração um abrigo tranquilo...

Ora, que ideia a tua! Então perdeste o sono

Simplesmente porque te julgas no abandono,

E ouviste, no telhado, o estrídulo de um grilo?