SUSPIROS QUE D’ALMA SÃO, POUCO IMPORTA O PADECER, QUE SE PERCAM QUANDO VÃO, SE S...

By Nicolau Tolentino de Almeida

Os que estão de amor feridos

Nunca a conhecer o deem,

Que em mostrando que amor tem,

Coitadinhos vão perdidos:

Entre anciãs e entre gemidos

Sempre a suspirar estão,

Mas as madamas então

Dos pobres amantes rindo.

Gostam de andarem ouvindo

Suspiros que d’alma são.

Os que de amantes ostentam

Andam sempre sem vintém,

Perdem noites, e também

Ás vezes bem os aquentam:

Porém elas ainda assentam

Que mais devemos fazer;

E quanto ao seu parecer,

Tem isto por bagatelas.

Assentando que por elas

Pouco importa o padecer.

Nós lhes dizemos, “senhoras,

Da rua as ouvimos mal,

Estas casas tem quintal,

Lá vamos ter a tais horas; “

Elas, que são mangadoras,

Vendo que temos paixão

Entram a teimar então,

Dizendo como em segredo

Que é de noite, e que tem medo’

Que se percam, quando vão.

Se algum se chega a obrigar,

E seu escritinho fez.

Sempre mais mês, menos mês,

Ao aljube vai parar:

Não tem pois que se queixar

De a. liberdade perder;

Se os homens chegam a ver

Que este é o fim d’um amante.

Não caminhem por diante.

Se sabem onde hão de ir ter.