SUSPIROS QUE D’ALMA SÃO, POUCO IMPORTA O PADECER, QUE SE PERCAM QUANDO VÃO, SE S...
Os que estão de amor feridos
Nunca a conhecer o deem,
Que em mostrando que amor tem,
Coitadinhos vão perdidos:
Entre anciãs e entre gemidos
Sempre a suspirar estão,
Mas as madamas então
Dos pobres amantes rindo.
Gostam de andarem ouvindo
Suspiros que d’alma são.
Os que de amantes ostentam
Andam sempre sem vintém,
Perdem noites, e também
Ás vezes bem os aquentam:
Porém elas ainda assentam
Que mais devemos fazer;
E quanto ao seu parecer,
Tem isto por bagatelas.
Assentando que por elas
Pouco importa o padecer.
Nós lhes dizemos, “senhoras,
Da rua as ouvimos mal,
Estas casas tem quintal,
Lá vamos ter a tais horas; “
Elas, que são mangadoras,
Vendo que temos paixão
Entram a teimar então,
Dizendo como em segredo
Que é de noite, e que tem medo’
Que se percam, quando vão.
Se algum se chega a obrigar,
E seu escritinho fez.
Sempre mais mês, menos mês,
Ao aljube vai parar:
Não tem pois que se queixar
De a. liberdade perder;
Se os homens chegam a ver
Que este é o fim d’um amante.
Não caminhem por diante.
Se sabem onde hão de ir ter.