Talvez!

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Toda a tristeza amarga e misteriosa

Que impenitentemente te lacera,

Talvez viesse da plaga tenebrosa

De um mundo sem rosais de primavera.

Talvez de um mundo assim, viesse, assombrosa

Essa tristeza que em teu peito impera,

E como um polvo másculo o devora,

Numa tortura por demais austera.

Talvez de um antro frio ela viesse,

E entre brumais tantálicos trouxesse

O requinte das formidáveis ânsias

Nas quais, no entanto, tu te purificas,

Para voltares às paragens ricas,

A paz espiritualizada das distâncias.