TEATRO DA NATUREZA

By Emílio Nunes Correia de Meneses

Um amigo das árvores, das flores,

Dos lagos, dos canais e da cascata

Com seus trêmulos quérulos rumores,

Dizia anteontem: — Isto agora mata!

Ia à tarde, fugindo dos calores,

Ao Campo de Santana, onde, à frescata,

Via, do ocaso de ouro, os esplendores,

Até vir o palor de um luar de prata.

Hoje, o Campo se fecha a sete chaves,

Para uso e gozo de feliz empresa,

Antes que busquem o seu pouso as aves.

Se a natureza, do seu teatro é presa,

Que me desculpem as pessoas graves:

O teatro é um teatro...contra a natureza.