Tempestade

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Cobriram-se de crepe as montanhas distantes...

É o pampeiro que chega, em céleres rajadas...

Todas as velas são por ele arrebatadas,

E há, pela praia afora, almas febricitantes.

As nuvens colossais, com riscos ondulantes

De brasa viva, são rudemente abaladas...

Correm, pelo ar sombrio, as aves, assustadas;

Uivam nas praias os cães e mugem bois, errantes...

Um momento depois, para as bandas de leste,

De uma faixa escarlate o alto céu se reveste;

E largas franjas de ouro erram pelos penhascos...

Faz-se um belo clarão... Mas o medo é dobrado:

Vai pelo mar convulso um lanchão, naufragado,

E outros mostram, na praia, o contorno dos cascos.