TENTADO A VIVER NA SOLEDADE SE LHE REPRESENTÃO AS GLORIAS DE QUEM NÃO VIO, NEM TRATOU A CORTE.

By Gregório de Matos Guerra

Ditoso tu, que na palhoça agreste

Viveste moço, e velho respiraste,

Berço foi, em que moço te criaste,

Essa será, que para morto ergueste.

Aí, do que ignoravas, aprendeste,

Aí, do que aprendeste, me ensinaste,

Que os desprezos do mundo, que alcançaste,

Armas são, com que a vida defendeste.

Ditoso tu, que longe dos enganos,

A que a Corte tributa rendimentos,

Tua vida dilatas, e deleitas!

Nos palácios reais se encurtam anos;

Porém tu sincopando os aposentos,

Mais te deleitas, quando mais te estreitas.