TERCEYRA VEZ ACOMETTE AQUELLA EMPREZA QUEYXANDO-SE CONTRA MARIQUITA POR SE FINGI...
Vim ao sítio num lanchão,
Quita, e tudo achei trocado,
vós com peito atraiçoado,
e eu vendido por traição:
vós, Quita, nesta ocasião
fingistes-vos doentinha:
pálida estava a carinha,
mas tudo embustes de moça,
com que fizestes a vossa,
e eu, Quita, não fiz a minha.
Toda a casa vi inclinada
aos três vizinhos Cupidos,
são sóis de novo nascidos,
e eu sou lua já minguada:
não pude então fazer nada,
porque estáveis vós então
com tanta declinação
de carnes, e de saúde,
que nunca convosco pude
fazer minha obrigação.
De achar-vos esquiva, e dura
pudera eu escarmentar,
e contudo hei de tornar
ao Sítio provar ventura:
sempre alcança, quem atura,
quem não sofre, nada alcança,
hei de ir ver se acho bonança
no vosso mar alterado,
e perderei o esperado,
mas não perco a esperança.
Que vou as festas lograr
crerá todo o Sítio inteiro,
e eu vou ao vosso poleiro,
não mais que por vos galar:
se outra vez vos vir queixar
com fingimento traidor,
que vos aperta uma dor,
hei de vos dar um conselho,
é que metais de vermelho,
e logo tomareis cor.
Quita, entendidos estamos,
e a doença está distinta,
vós andais muito faminta
disto, que cópia chamamos:
e pois ambos lazaramos
deste mal pestilencial,
ambos curemos o mal,
tomai por curar a fome
o caldo dos grãos de home,
que é muito substancial.
Para ter contentamento
os rins tendes de escorrer,
aliás haveis de morrer,
Quita, de sêmen retento:
eu faço um protestamento,
de que não morreis por mim,
porquanto assim, ou assim
tronco velho, ou pau mociço
estou ao vosso serviço
com armas, e com rocim.