Terra!

By Juvêncio de Araújo Figueredo

Como é ingrata, para sempre, a gente!

Pois contra ti, ó terra virginal,

Lança da raiva o vesgo olhar tremente,

Toda a sombra tristíssima do Mal.

No entanto, ó terra, do teu seio ardente,

Brota, para florir, o roseiral,

E escorre o rio, rútilo e dormente;

E o pão nos vem, na espiga do trigal.

E, no entanto, na seiva que palpita

No teu seio fecundo, é que se agita

Toda a vida do Amor, toda a grandeza;

Todos os sonhos de felicidade,

Em voos para a paz na eternidade

Por essa torre de astros e turquesas.