Teu nome

By Delminda Silveira de Sousa

No sopro da brisa que as folhas agita,

na onda que imita queixume sentido,

nos ais de meu peito que a mágoa consome

eu ouço o teu nome suave e querido!

N’aurora risonha de cores mimosas,

de lírios e rosas num lindo arrebol,

fulgura brilhante no céu estampado

teu nome dourado dos raios do sol!

No seio mimoso da rosa entreaberta

na linda coberta do prado florido,

eu vejo o teu nome, de aromas cercado

nas flores do prado, teu nome querido!

Vésper desponta, e no cristal das águas

da face linda estampa os esplendores:

vem, ó minha saudade! — oh, doces mágoas

do mimoso sonhar dos meus amores!

Agora que a avezinha sem receio

dorme entre as franças do salgueiro umbroso,

e o níveo bogari, abrindo o seio,

desprende aromas do botão mimoso,

— Vem, ó doce memória da ventura,

vem delir-me o pungir dos amargores!

Oh! vem!... desta hora meiga na tristura,

vem trazer-me o sonhar dos meus amores!...