Teus quinze anos

By Delminda Silveira de Sousa

Teus ditosos quinze anos

são quinze rosas mui belas,

tão puras e tão singelas

como a tua alma inocente.

As alvas da primavera,

oh! não! não têm mais doçuras

do que as auroras tão puras

desta quadra florescente!

Na tua idade formosa

como são belos os sonhos!

Como os dias são risonhos,

e o mundo cheio d’encantos!...

Sem ter a mente lembrança

de alguma crença perdida,

quão bela desliza a vida

por entre risos e cantos!

A flor serena das águas

que em linda manhã de Abril

a meiga aragem sutil

bafeja, sem perturbar,

não tem mais doce sossego

do que o teu cândido seio,

que nunca o mais leve anseio

de manso fez palpitar.

Qual da leda Primavera

mais belas abrem-se as flores,

e d’aurora os esplendores

mais vivos brilham no Céus,

assim na tu’alma pura

brilha com mais pura essência

a branca flor da inocência

tão grata aos olhos de Deus.

Conserva, pois, entre as rosas

dos teus ledos quinze anos,

a flor que os puros arcanos

desvenda nos sonhos teus;

e lembra que da inocência

a branca flor perfumada

do mundo é sempre estimada,

sempre é querida dos Céus!